Sem blá blá blá
O quarteto segue firme, quem disse que acabou?
Em 30 de dezembro de 2025 – Por Alex Blau Blau

Nos últimos dias, a direita brasileira, ou melhor, os trapalhões da extrema direita, voltou a encenar sua velha estratégia: lançar uma “candidatura” que serve menos como projeto político e mais como moeda de troca. Trata-se de uma operação claramente calculada para pressionar por uma anistia ampla e conveniente. A jogada, conduzida por figuras marcadas por escândalos das rachadinhas ao caso das joias, tenta medir até onde o Centrão estaria disposto a ceder. Mas o blefe naufragou. Ninguém comprou.
Enquanto isso, deputados e senadores da direita seguem repetindo discursos previsíveis e frágeis. Quando faltam argumentos e faltam com frequência, recorrem aos bordões de sempre: “comunista”, “petista”, “e o INSS?”, “e a Petrobras?”. Quando o repertório acaba, partem para agressões verbais ou físicas, num comportamento autoritário que revela não convicção, mas falta de capacidade de diálogo.
E tudo isso acontece por um motivo óbvio:
a pauta desses trapalhões e de boa parte dos parlamentares da direita é estritamente pessoal. Não é sobre o país. Não é sobre políticas públicas. É sobre proteger, blindar e salvar a mesma família que eles transformaram em projeto de poder desde 2016.
Cada gesto, cada fala, cada tentativa de distorcer o debate público gira em torno desse único objetivo: reverter fracassos eleitorais como reeleição, anistia e, agora, empurrar uma anistia goela abaixo do país.
Enquanto a política nacional desperdiça tempo servindo aos interesses privados de uma família, o Brasil enfrenta crises graves e reais. O aumento dos feminicídios no Distrito Federal, no entorno e em várias regiões do país deveria ocupar o centro do debate. Mas permanece ignorado. Militares e parlamentares preferem falar dos seus “santinhos” golpistas presos em batalhões do que enfrentar a escalada da violência contra mulheres.
E a pergunta que se impõe é urgente:
até quando a vida das mulheres será tratada como assunto secundário, enquanto a pauta pessoal dos trapalhões e dos parlamentares da direita continua sendo proteger uma única família?
As mulheres estão pedindo socorro. O país precisa parar de fingir que não está ouvindo.

