O Dilema da Urna: Base Eleitoral vs. Sobrevivência Política
O cenário é o seguinte: o GDF chega na CLDF (Câmara Legislativa do DF) com o PL 2165/2026 debaixo do braço e diz: “Pessoal, preciso de um cheque em branco assinado com o suor das nossas terras, senão o BRB vai pro vinagre”
Em 23 de fevereiro de 2026 – Redação
🗳️ O Dilema da Urna: Base Eleitoral vs. Sobrevivência Política
Para o deputado, votar esse PL é como caminhar em um campo minado usando sapato de cristal. Eles têm dois caminhos, e nenhum é fácil:
1. O Risco do “Voto de Traição” (A Base Eleitoral)
Muitos deputados se elegem com o discurso de “proteção ao patrimônio público”. Quando eles votam para dar ao BRB o direito de vender imóveis da TERRACAP e da NOVACAP (o “filé mignon” de Brasília), eles estão, na prática, privatizando pedaços do DF sem licitação convencional.
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O Medo: O eleitor mais atento (ou a oposição) vai cobrar: “Cadê o dinheiro daquela escola que ia sair naquele lote? Virou bônus de executivo do banco?”.
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A Consequência: Perder o selo de “defensor do povo” e ver sua base migrar para alguém que grite mais alto contra a “liquidação de Brasília”.
2. O “Cheque em Branco” (A Manutenção do Cargo)
Aqui entra o realismo fantástico da política. O BRB não é apenas um banco; no DF, ele é o motor de patrocínios, eventos, crédito para o funcionalismo e obras.
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O Medo: Se o banco quebra ou perde força, a economia do DF capota. E político com economia ruim não se reelege nem para síndico de prédio.
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A “Troca”: Votar a favor garante a proximidade com o Palácio do Buriti. É o famoso “eu te dou o cheque em branco hoje, e você garante que minhas emendas parlamentares e meus apadrinhados continuem no jogo amanhã”.
🎭 A Encenação na CLDF: Como eles vão justificar?
Se você ligar a TV Câmara, vai ver o seguinte espetáculo:
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O Discurso da Salvação: Dirão que estão “salvando o banco dos brasilienses” e que “não é venda, é fortalecimento”. Usarão palavras bonitas como liquidez, Basileia e solidez.
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O “Jabuti” no Texto: Tentarão colocar alguma emendinha dizendo que “X por cento do que for vendido tem que ir para tal setor”, só para dizer que não deram o cheque totalmente em branco.
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A Governança de Fachada (Art. 3º, III): Vão bater no peito falando em “transparência”, mas o projeto permite “alienação direta”. Ou seja: o banco decide para quem vende, como vende e quando vende, longe dos olhos chatos da Lei de Licitações tradicional.
🧐 O Veredito Ácido
Os deputados não estão com medo de “perder os votos” por causa do patrimônio público em si — o brasiliense médio nem sabe o que é TERRACAP. O medo deles é o custo da oportunidade.
Eles vão entregar o cheque em branco? Provavelmente sim. Mas vão cobrar caro por isso. No final das contas, o PL 2165/2026 é uma autorização para o banco “brincar de imobiliária” com as joias da coroa. Para o deputado, é mais seguro dar o cheque e garantir o cargo do que ser o “culpado” por uma crise bancária no meio do ano eleitoral.
Uma coisa é certa aquele deputado que defende o patrimônio e o não a corrupção se votar pode esperar uma enxurrada de críticas. Ou tudo pelo “Meus Cargos, Minha Vida”


