O Equilibrista do Buriti: Hermeto e a Arte de Nadar e não se Molhar

Líder do governo descobre a fórmula da “justiça quântica”: defende CPI longe, mas foge da assinatura perto de casa

Em 11 de fevereiro de 2026 – Redação

BRASÍLIA – Em uma performance digna de um Oscar de Coadjuvante, o deputado distrital Hermeto (MDB) resolveu ontem vestir a toga da imparcialidade — ou pelo menos tentar. Com o dedo em riste e o semblante de quem acabou de descobrir a pólvora, o líder do governo disparou a frase que já nasceu candidata a meme: “Eu não passo pano para ninguém”.

A plateia, claro, quase acreditou.

“Crucificar não, que o martelo é pesado”

Hermeto, em sua infinita misericórdia parlamentar, explicou que não quer “crucificar” o governador Ibaneis Rocha ou qualquer outro antes do fim das investigações. Segundo o deputado, é preciso esperar. Esperar o quê? Talvez o tempo passar, a poeira baixar ou quem sabe o Carnaval chegar para todo mundo esquecer o que aconteceu. Para Hermeto, a pressa é inimiga da… proteção de aliados.

A Dieta da CPI: No Congresso pode, na CLDF engorda

O ponto alto do espetáculo de contorcionismo político veio na hora de falar sobre as Comissões Parlamentares de Inquérito. O deputado, em um surto de civismo nacionalista, defende com unhas e dentes uma CPI no Congresso Nacional. Afinal, investigar lá no alto, com os holofotes de todo o país, é chique, é elegante e, o melhor de tudo: não depende da caneta dele.

Porém, quando o assunto é a CPI da Câmara Legislativa (CLDF) — aquela que fica logo ali no corredor, onde ele realmente tem poder de decisão —, o entusiasmo de Hermeto desaparece mais rápido que verba de gabinete no final do mês.

  • A lógica é simples: Investigação boa é investigação que acontece na casa do vizinho.

  • O lema do líder: “Justiça sim, mas com a minha assinatura não!”

  • CPI no Congresso? “Apoio total! Investigar é preciso! Que venham os senadores, as câmeras nacionais e o barulho de Brasília!”

  • CPI na CLDF (onde ele trabalha)? “Opa, calma lá… não vamos politizar as coisas… é muito cedo… o café está esfriando…”

O Resumo da Ópera

Hermeto tenta vender a imagem de um xerife implacável que “não passa pano”, mas na prática, parece estar apenas guardando o rodo para usar depois. Entre querer punição em Brasília (Federal) e blindar o Buriti (Local), o deputado segue firme no muro — um lugar que, convenhamos, já tem até a marca do seu assento cativo.

Para Hermeto, a justiça deve ser lenta como uma tartaruga com artrite, especialmente se o réu for quem assina as suas indicações políticas.

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