Covas se abrindo e túmulos quebrados: mortos e vivos se revoltam no DF

Reclamações dobraram, Procon-DF aponta descaso e a Campo da Esperança tenta encolher os ombros

Em 23 de julho de 2025 – Redação

Se cemitérios são para garantir sossego, os do DF estão mais pra parque de diversões do horror. Conforme levantamento exclusivo do Metrópoles, as reclamações no Procon-DF contra a concessionária Campo da Esperança Serviços Ltda. dobraram de 2023 para 2024 e já somam 22 só no primeiro semestre de 2025.

A gravidade do cenário dá calafrios: covas que se abrem sozinhas (já é a segunda cratera em menos de 10 dias na Asa Sul), árvores caindo sobre túmulos, cruzes quebradas, rachaduras nos jazigos — um “vale da perdição” que reflete descaso estrutural e gestão conturbada.

A história vai além do visual macabro. Em novembro e outubro de 2024, o solo cedeu e engoliu pessoas — uma auxiliar de limpeza foi tragada por uma cova em 26/10 — e, em janeiro de 2024, dez visitantes caíram dentro de uma vala durante um sepultamento em Taguatinga. Os feridos desmaiaram, tiveram crises nervosas e escoriações — detalhe: tudo isso em um lugar que deveria ser sinônimo de respeito e dignidade.

Para completar o déjà-vu, em 3 de julho deste ano, mais um chão cedeu na Asa Sul — ninguém se feriu, mas os túmulos, sim.

E a concessionária? Segue no discurso otimista: diz que os números são “baixos em relação aos 560 mil jazigos e cerca de 1.000 sepultamentos/cremações por mês”. Alega que investe em manutenção e que muitos casos expostos são “boicote de jardineiros autônomos frustrados”. Convenhamos: é quase um plot twist digno de TPM (Tempos de Problemas Macabros).

Enquanto isso, os parentes cobram providências concretas. Márcio e a mãe de 82 anos foram ao cemitério de Taguatinga na sexta (18/7) e simplesmente não acharam o jazigo do pai — falta sinalização, organização e até respeito básico com o luto alheio. Luana Landim levou meses para poder pendurar uma placa no jazigo da mãe (morta em nov/2023), enquanto outros túmulos limpos são resultado de “jardineiros particulares” que, ironicamente, estão proibidos pela justiça de atuar nos espaços.


Conclusão afiada:
No DF, morreu quem quis, mas descansar em paz virou privilégio — precisa sorte, disposição (para procurar o jazigo) e, de preferência, grana para bancar terceiros. Porque, se depender da Campo da Esperança e da fiscalização preguiçosa, o túmulo ideal será aquele que o “sorteio da sorte” escolheu pra você.

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